quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

O Remo.

Bom noite,

Como prometido aqui estou eu para vos contar como tudo isto começou...

Já diz a frase que “...an apple doesn´t fall far from the tree...” e eu não fui excepção. O meu pai, professor de línguas clássicas (Português, Latim e Grego), com muitos anos de formação católica, sempre me incentivou e apoiou muito na vida escolar e académica. Não só a mim como à minha irmã.

Na verdade nunca encontrou na nossa educação uma árdua tarefa já que apenas o seu exemplo servia para que nós próprias adquirisse-mos o gosto pela leitura, pelo estudo e pela dedicação.

Acabado o ensino secundário, e tendo a Inês optado pela Medicina Veterinária, eu vi na Biologia um ramo que me cativava.

Nos meus cinco anos de licenciatura na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto a minha vida não fugia muito da mesma rotina diária: Uma carga horária lectiva daquelas, muitas horas passadas na biblioteca da faculdade na silenciosa companhia dos livros e, ao fim do dia, a companhia da Inês e das outras colegas do lar de Santa Clara.

Nessa altura, toda aquela energia acumulada nas horas de aulas e estudo eram gastas pelas ruas do porto em longas caminhadas que uniam a Praça dos Leões ao pólo de Biologia no Campo Alegra.

Não foi se não em 2003, já a dormir diariamente em casa dos meus pais, que decidi deslocar-me ao Clube Fluvial Vilacondense com a intenção de praticar Vela. (Sim, vela. Aquele desporto em que nos sentamos num barco à espera que o vento faça todo o trabalho para nos deslocar)

Quem lá encontrei foi o Sr. Joaquim que me disse: “Olhe que o treinador da Vela não está cá. Mas fale ali com o Camisa, que é um dos treinadores do remo, que ele também a pode ajudar”

Foi falar com o Camisa.

Ele ficou muito espantado quando me perguntou a idade e lhe respondi “vinte e dois anos” mas disse: “Bem, aparece amanha que está aqui o professor Santos, que é o treinador do Remo e podes começar a treinar”.

Bastou o primeiro treino para me convencer: Um treininho daqueles de pré-época com corrida pela praia, sprints na areia, sobe muro, desce muro, carrega com colegas às costas, mergulho no mar........fiquei satisfeita!

Os meses foram passando e se o meu “talento” no domínio da técnica de remada deixava muito a desejar, sempre fui muito esforçadinha e aos poucos fui evoluindo.

Devo muito às colegas com quem remei. Desde a Andreia e aqueles fantásticos treinos de double-skull, ao quatro-skull maravilha (e as suas discussões) com a Deda, Elisabete e Ana a quem devo grande parte dos títulos nacionais nesta modalidade até aos treinos com a Jane, por quem tenho uma admiração enorme. Foram todas fases que não trocava por nada deste mundo.

Em 2005 fui chamada à selecção nacional.

O nível das femininas no remo não é propriamente muito alto mas com os escassos apoios e com as condicionantes que algumas de nós tínhamos a nível profissional fizemos o melhor possível


(Eu sou a remadora da proa, mais à direita na imagem)

Foi-me dada a oportunidade de participar em algumas competições internacionais como Taças do Mundo e um Campeonato do Mundo (primeiro na tripulação de quatro-skull e depois em double-skull). Cheguei mesmo a integradar o Projecto Olímpico “Pequim 2008” recebendo uma bolsa do IDP (nível 4).

O que não posso deixar de fazer referência é que foi aqui, na Selecção Nacional de Remo, que tive o primeiro contacto com os verdadeiros e verdadeiras atletas de alta competição. Pessoas que, como eu, precisam do desporto para viver e para se sentirem bem.

Isto abriu-me bastante os horizontes e ajudou-me a nunca pensar que “já faço muita coisa” mas que há ainda TANTO por fazer.

Foi então que num banal fim de semana, quando ia de bicicleta para um treino de remo no rio Douro, aconteceu algum que mudaria por completo o rumo da minha vida.

Fui interpelada por um senhor que se apresentou como José Dias, treinador das femininas da equipa CC Spol CaixaNova, e que me ofereceu um chapéu da equipa. Perguntou-me se não gostava de fazer corridas de ciclismo e combinou comigo um encontro no dia seguinte, para me falar um pouco mais sobre a equipa.

Fiquei entusiasmadíssima e no dia seguinte lá fui com o Luís ter com o Sr. Dias à hora e no local combinado.

Disse que sim a tudo e foi nesse dia que começou a minha vida no ciclismo...

Ester Alves

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