Numa altura em que tanto se fala de convénios hibéricos e todo o tipo de cooperação entre a Real Federacion Española de Ciclismo e a Federação Portuguesa de Ciclismo, a Ester foi impedida de correr o contra-relógio do Campeonato Nacional.
Na base do problema estava o facto de não ter em sua posse a licença desportiva, um simples cartão que atesta que a atleta está de facto inscrita na federação e que não está de alguma forma sancionada, situação que puderia facilmente ter sido esclarecida via telefone com alguma boa vontade por parte do chefe do colégio dos comissários, o Sr. Miguel Loureiro. Isso aconteceu porque na última etapa do Emakumeen Bira a directora desportiva da Ester e as restantes atletas foram mais cedo embora, tendo deixado a Ester com a pessoa responsavel por a levar ao aeroporto, ficando assim esquecida a licença que, como é natural e os comissários gostam de repetir vezes sem conta, é pessoal e intransmissível.
Contudo, a BUROCRACIA continua a ser palavra de ordem no nosso pequenino e atrasado Portugal.
Ao Sr. Miguel (cuja consciência estará, certamente, extremamente tranquila): Duvido seriamente que alguma vez se tenha sentado em cima de uma bicicleta para algo mais do que ir até à praia. A sua intransigência absoluta é reflexo de alguém completamente alheado do que é o desporto amador em Portugal. Prefiro não acreditar que essa sua atitude teria como objectivo o favorecer de algum outro interesse ou atleta porque isso, então, seria o mais baixo e o mais reles que alguém na sua posição poderia chegar. A verdade é que tal demonstração de tão má vontade e mediocridade, reprovada por todos os demais comissários e organizadores com quem tive o prazer de conversar durante o fim de semana, é uma pequena amostra de tudo o que está mal e precisa de ser "amputado" nos vários serviços administrativos ao longo do país.
Espero que nunca tenha a necessidade e o azar de se cruzar com alguém como o próprio Sr. Miguel Loureiro.
Tendo, desta forma, ficado afastada de um dos seus maiores objectivos da época, e num ano em que todos os escalões melhoraram os tempos feitos no ano passado, fica o (extremamente pequeno) consolo de ter ficado intacto o record do circuito (no escalão feminino) estabelecido pela Ester no ano anterior de 23:29.6, com uma média horária de 42,157 Km/h.
Neste momento encontramo-nos a caminho de Hellín, Espanha, para reaver a licença da Ester.