sábado, 26 de junho de 2010

Ester Alves impedida de correr o Campeonato Nacional de contra-relógio.

Numa altura em que tanto se fala de convénios hibéricos e todo o tipo de cooperação entre a Real Federacion Española de Ciclismo e a Federação Portuguesa de Ciclismo, a Ester foi impedida de correr o contra-relógio do Campeonato Nacional.
Na base do problema estava o facto de não ter em sua posse a licença desportiva, um simples cartão que atesta que a atleta está de facto inscrita na federação e que não está de alguma forma sancionada, situação que puderia facilmente ter sido esclarecida via telefone com alguma boa vontade por parte do chefe do colégio dos comissários, o Sr. Miguel Loureiro. Isso aconteceu porque na última etapa do Emakumeen Bira a directora desportiva da Ester e as restantes atletas foram mais cedo embora, tendo deixado a Ester com a pessoa responsavel por a levar ao aeroporto, ficando assim esquecida a licença que, como é natural e os comissários gostam de repetir vezes sem conta, é pessoal e intransmissível.
Contudo, a BUROCRACIA continua a ser palavra de ordem no nosso pequenino e atrasado Portugal.

Ao Sr. Miguel (cuja consciência estará, certamente, extremamente tranquila): Duvido seriamente que alguma vez se tenha sentado em cima de uma bicicleta para algo mais do que ir até à praia. A sua intransigência absoluta é reflexo de alguém completamente alheado do que é o desporto amador em Portugal. Prefiro não acreditar que essa sua atitude teria como objectivo o favorecer de algum outro interesse ou atleta porque isso, então, seria o mais baixo e o mais reles que alguém na sua posição poderia chegar. A verdade é que tal demonstração de tão má vontade e mediocridade, reprovada por todos os demais comissários e organizadores com quem tive o prazer de conversar durante o fim de semana, é uma pequena amostra de tudo o que está mal e precisa de ser "amputado" nos vários serviços administrativos ao longo do país.
Espero que nunca tenha a necessidade e o azar de se cruzar com alguém como o próprio Sr. Miguel Loureiro.

Tendo, desta forma, ficado afastada de um dos seus maiores objectivos da época, e num ano em que todos os escalões melhoraram os tempos feitos no ano passado, fica o (extremamente pequeno) consolo de ter ficado intacto o record do circuito (no escalão feminino) estabelecido pela Ester no ano anterior de 23:29.6, com uma média horária de 42,157 Km/h.

Neste momento encontramo-nos a caminho de Hellín, Espanha, para reaver a licença da Ester.

1 comentário:

  1. O trabalho desenvolvido e a dedicação empregue irão, mais tarde ou mais cedo, trazer de volta os triunfos, há que não desanimar. As contrariedades só darão mais sabor às próximas vitórias.
    Força, que Portugal precisa de atletas como a Ester Alves.

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